A reação de
alguns professores da rede estadual que “furaram” o movimento grevista, por
opção, é um sinal claro de que suspender as aulas, pôr o cumprimento do ano
letivo em risco e ainda comprometer o aprendizado – e, assim, o futuro – de
milhares de estudantes já não é mais consenso no setor.
Muitos dos
professores que resolveram manter o calendário de aulas, a despeito da decisão
do sindicato que os representa, crêem que é necessário adotar outras formas de
pressionar em defesa dos seus direitos – de preferência que não sejam
prejudiciais aos alunos. Seria melhor ainda se esse entendimento se propagasse
mais dentro da categoria.
professores também já estão cientes de que em
muitos casos a motivação das greves é mais política do que propriamente técnica
ou administrativa. Em que pese concordarem que há dificuldades, e muitas, a
serem vencidas dentro das salas de aulas, há também a convicção de que a
categoria está sendo usada por interesses políticos.
Não é possível
esconder as dificuldades enfrentadas pelo ensino público. Na rede estadual, são
evidentes. Foi necessário rearrumar totalmente a casa, processo ainda em curso,
depois de uma administração desastrada que bem pode ser ilustrada com o fato,
já repisado tantas vezes, de que cerca de dez titulares chegaram a passar pela
cadeira de secretário.
Não há
organização, não há rotina, não há metodologia que possa ser implantada com
tamanha rotatividade na gestão. Considerando que cada um que chegava remontava
a equipe, tem-se a ideia aproximada do tempo que se perdeu.
Se o governo
atual não faz nenhuma revolução no setor, é necessário reconhecer os avanços
que empreende, a bem da gestão da educação, como a implantação de um sistema
eletrônico específico, por meio do qual é possível acompanhar o desempenho das
escolas, dos alunos e dos professores.
A equipe hoje
no comando da secretaria tem histórico de compromisso com a causa da educação.
Embora seja um
instrumento legal, a greve é usada de forma tão rotineira no RN que faz crer
que o radicalismo parece a única forma de “negociar”. E não é.
Fica ainda a
impressão de que é mais vantajoso usar os milhares de estudantes como escudo,
ameaçando ainda mais a carreira escolar deles.
A educação
pública no país e no RN não é um mar de rosas – é um fato. Precisa avançar. O
compromisso de todos – muito além do mimimi partidário e político - ainda é o
melhor caminho para alcançar a eficiência.
Editorial publicado pelo Novo Jornal, edição 1312, ano 4, em 14 de fevereiro de 2014.
Editorial publicado pelo Novo Jornal, edição 1312, ano 4, em 14 de fevereiro de 2014.
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