Davi Alcolumbre foi
acusado de irregularidades na campanha de 2014, o que o senador nega.

O novo presidente do Senado , Davi Alcolumbre
(DEM-AP), eleito no sábado em sessão
tumultuada, é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF),
que investigam possíveis crimes ocorridos durante a campanha eleitoral de 2014,
quando ele se elegeu senador. A investigação sobre o caso na Justiça Eleitoral
já foi arquivada, mas segue em andamento no STF. O senador nega qualquer
irregularidade. À Justiça Eleitoral, ele defendeu a legalidade dos gastos e
destacou que suas contas foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE)
do Amapá.
São dois inquéritos. O mais antigo e mais
amplo foi aberto em 2016. Segundo a procuradora-geral da República, Raquel
Dodge, Alcolumbre é investigado em razão da "utilização de notas fiscais
frias inidôneas para a prestação de contas, ausência de comprovantes bancários,
contratação de serviços com data posterior à data das eleições, entre
outras". Também segundo Dodge, há cheques que, embora emitidos a empresas
que teriam prestado serviços ao candidato, foram endossados pelo contador da
campanha ou sacados em espécie na boca do caixa.
O segundo inquérito é mais recente, de 2018,
e diz respeito à apresentação de notas fiscais frias na prestação de contas da
eleição de 2014. Como são assuntos conexos, os dois inquéritos estão correndo
em conjunto no STF, por decisão do juiz instrutor Fernando Brandini Barbagalo,
que trabalha no gabinete da ministra Rosa Weber, relatora dos processos.
No pedido de abertura do segundo inquérito,
Dodge reconheceu que o processo não foi adiante na Justiça Eleitoral, mas
destacou que isso não impede que o caso possa ser investigado em outras
instâncias. A Justiça Eleitoral concluiu que o senador não teve ciência prévia
de que as notas fiscais eram falsas. Também entendeu que não houve prova da
participação dele na falsificação. Dodge discordou:
"Ressai improvável o
alegado desconhecimento e, efetivamente, a não participação do parlamentar.
Para a segurança necessária para eventual oferecimento de ação penal, no
entanto, o aprofundamento da apuração é medida necessária."
Em 2013, Alcolumbre, então deputado federal, também foi
investigado por supostas ligações com o doleiro Fayed Trabouli, no escândalo sobre desvios de
dinheiro de fundos de pensão de prefeituras e governos estaduais. Os indícios
sobre o suposto envolvimento de parlamentares com o grupo de Fayed foram
obtidos de forma incidental, em gravações telefônicas, durante as investigações
da Operação Miquéias. O doleiro é suspeito de desviar R$ 50 milhões.
Quando as informações
sobre os supostos vínculos de Alcolumbre com o doleiro vieram à tona, ele
confirmou, ao GLOBO, que manteve algumas conversas com Fayed. Os dois tinham
sido apresentados um ao outro no cafezinho da Câmara. O senador negou, no
entanto, que tratou com ele de assuntos financeiros.
— Falamos sobre política e
economia. Falei das forças políticas do meu estado. Ele me perguntou se Sarney
era bom para o Amapá porque ele não é de lá — disse Alcolumbre, na época.
As investigações da
Operação Miquéias foram barradas no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator
do caso, o ministro Marco Aurélio Mello decidiu anular interceptações
telefônicas feitas pela Polícia Federal no período.
Apoiado pelo ministro-chefe da Casa Civil,
Onyx Lorenzoni, Alcolumbre desafiou o
então todo-poderoso Renan Calheiros (MDB-AL) e, após dois dias de duros embates
em plenário, venceu a eleição para a presidência do Senado. Ele recebeu 42
votos, contra apenas cinco de Renan Calheiros, que abandonou a disputa durante
a votação. Sua candidatura foi beneficiada pela desistência de outros senadores
contrários ao emedebista - Simone Tebet (MDB-MS), Major Olimpio (PSL-SP) e
Alvaro Dias (PODE-PR).
Com 41 anos de idade, Alcolumbre é um dos
mais jovens senadores em atividade. O senador iniciou carreira polítida em
2000, quando se elegeu vereador de Macapá. Dois anos depois, se elegeu deputado
federal. Após completar três mandatos na Câmara, se elegeu senador. Nas
eleições para o Senado em 2014, Alcolumbre também provocou surpresa ao
derrotar o ex-senador Gilvam Borges. Um
dos caciques do então PMDB, Borges contava à época com o apoio de ninguém menos
que o ex-presidente José Sarney, um dos políticos mais influentes do país.
Fonte: André de souza - O
Globo, com CNB
Foto: Daniel
Marenco/Agência O Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário